Músico, Thiago Boecan, 2018
no blue desse tédio
abacaxi de caroço
rosna um carro dentado
a flutuar na rua de ninguém
(petróleo, fuligem
óleos, passos metálicos
e cobras elétricas enroscadas em postes…)
à margem, coqueiros
suspiram folhas
e frutos vadios
tal qual
uma sacola vazia
de supermercado
tangida
o olhar amarelo
do semáforo pisca vigilante
entre o agora e o nunca
uma moeda de sangue
é cuspida na face inútil
duma rosa de plástico
plantada sobre a geladeira
um espelho estala na sala
meu coração improvisado
exala arpejos
a tatear canções
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